Um mundo maravilhoso, dentro de uma cabeça doentia.

Rô Risoflora

"Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.
(...)
Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas ás emoções,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angústia da forja das emoções!
(...)
Ó fome abstrata das coisas, cio impotente dos momentos,
Orgia intelectual de sentir a vida!"

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Mais de mim em 2014

Há tempos não escrevo aqui. Mas como já me é de costume, o balanço do ano não poderia faltar. Até porque, ele está aqui o tempo todo na minha cabeça, pensando e repensando em tudo o que fiz ou não fiz esse ano. Deixo aqui, registrado em letra em vez de pensamentos.

Definitivamente 2013 ficou longe de ser um ano incrível. Perto de 2011 e 2012, que vinham com médias espetaculares, 2013 frustrou. E em vários campos. A começar pelo mais óbvio de todos: meu Corinthians. Ok, um bom começo de ano, ainda na atmosfera de bi mundial, veio um Paulista, uma Recopa e por aí paramos. Ok, ainda tivemos uma festa de aniversário incrível em Itaquera. Mas Oruro, o acidente na obra, Amarilla, tanta punições e tudo mais, desequilibrou a balança. E como eu já bem sei, comigo, aquela história de “azar no jogo, sorte no amor” não funciona. Muito pelo contrário, parece que o Corinthians dita bem as regras por aqui. Sigo sua energia, o humor que ele me dá e está feita a festa. Ou a catástrofe.

Iniciei o ano com um ótimo projeto pra mim, pra minha saúde, meu corpo e minha autoestima. Fui atrás de uma tão sonhada plástica e assinei os papeis sem nem pensar muito, nem fazer muito as contas do banco. Eu estava precisando. Mas o ânimo de ter uma nova aparência logo tomou um banho frio. Um nódulo na mama me tirou o sono por alguns meses. Descobri o poder de uma simples palavra: biópsia. E como ela pode te levar do céu ao inferno. O resultado dela pode nem te matar, mas você quase se mata de angústia, medo e solidão antes. Felizmente, a história terminou bem, nada maligno, ainda que tenha durado longos 11 meses para ter um desfecho. Com tudo isso, consegui pra mim a tão sonhada plástica e a reflexão de como uma doença pode virar uma vida e uma família de cabeça pra baixo. Hoje, me sinto linda! =)

Não tem como falar de 2013 sem passar por junho. Mês mais que complicado em São Paulo, porém muito emblemático pra mim e pra todos que acompanharam de perto toda a onda de manifestações que tomou a cidade. Eu estava lá e se eu tivesse que escolher um cheiro para traduzir meu 2013, seria o cheio de gás lacrimogêneo. Corri de polícia, cobri o rosto, respirei bomba, fui encurralada, fugi de cavalaria. De tudo isso, sobrou o não aumento do preço da passagem em São Paulo e o aumento das minhas convicções políticas. Vão muito bem, obrigada.

No trabalho, tudo segue seu rumo. Completei um ano de GE. Um aprendizado impossível de ser mensurado. Definitivamente, cresci e amadureci profissionalmente, ainda que não tenha subido nenhuma escala de cargos e salários. Eu, como profissional, sou outra pessoa de um ano pra cá. A crise do “será que é isso que quero pro resto da minha vida?” bateu, mas ah, eu deixei ela pra lá. Não sei a resposta mesmo. E no final do ano, a boa notícia de que renovei o contrato por lá por mais 12 meses e a expectativa do que será daqui mais 1 ano de GE, 1 ano de faculdade, 1 ano de mais coisas novas.

O bolso ficou meio abalado, em meio a tantas turbulências médicas. Mas encerra o ano com esperanças de começar 2014 respirando bem. Tudo depende se a dona dele não começar janeiro com mais alguma loucura por aí, o que ele sabe que são chances grandes, vindo de quem vem, rss. Afinal, não foi fácil pagar uma mudança que eu queria e mais uma corrida de Fórmula 1, um show do Alice in Chains, outro do Pearl Jam, alguns jogos de Corinthians e mais todas as botecadas e happy hours. Mas sempre vale muito a pena.

 

Comecei a jogar tênis, o que salvou todo o segundo semestre. Meu humor depois de cada aula era completamente outro. Minha disposição durante o dia também. Vocês, amigos esportistas, me convenceram de como a atividade física faz diferença na nossa vida. Estava jogando bem, animada. Mas claro, meu joelho fraquejou e agora, lá vamos nós tratar isso antes de voltar às quadras.

Os amigos e família, coitados, sofreram com o mau humor. Na junção de Corinthians mal, saldo bancário negativo e uma porra de um nódulo dentro de mim, não foi fácil sobrar sorrisos pra eles. Mas seguraram a barra, como sempre. Não consegui ouvir o problema deles, na maioria das vezes. Os meus, ainda que pequenos perto de tantos dos outros, me tiravam a paciência. Espero que tenham entendido, espero que tenho me feito mostrar que, mesmo insana, são eles que quero perto.

“E sobre o amor, Rô? Não vai falar?”. É então, como já disse lá em cima, azar no jogo, azar no amor, baby. Falar sobre isso, durante esse ano, me renderia mais algumas páginas de texto. E não explicaria nada, afinal, eu fui testada de todas as maneiras, em todas as situações, e, claro, não tenho conclusão nenhuma. Vi, mais de perto do que nunca, casamentos que se sustentam com vidas extras. Já até fui uma dessas extras. Vi os juramentos de amor que acontecem ao mesmo tempo que trocas de mensagens com terceiras. Me questionei, por horas – que somadas dariam dia – que tipo de amor é esse que vocês acham que vivem. Esse é o de verdade, que eu tenho que aprender a ter? Ou esse de vocês é de mentira, e vocês é que nunca tiveram um de verdade e nem sabem? Ou até sabem, mas tá bom assim? Hein? Costumo achar que a errada e culpada sempre sou eu, mas me desculpem. Dessa vez, reluto a achar que os frouxos são vocês.

Vi o “sexo de primeira” estragar casos e o mesmo “sexo de primeira” virar de verdade. Vi a internet te apresentar pessoas interessantes e pessoas ao vivo serem vazias. Superei a barreira dos trinta anos! Haha, só que pra baixo, quem diria. Mas também continuei provando da delícia de um motor 4.0. Como de praxe, me apaixonei algumas dezenas de vezes e desapaixonei como quem dorme e esquece o que comeu ontem.

E, como disse, que conclusão chego? A mesma de sempre. Que não existe conclusão nenhuma. Talvez até tenha uma pra mim. Que eu deveria dizer mais vezes o que acho das coisas. Espero, ansiosamente, o dia em que eu consiga fazer isso. Acho que seriam como tiros em muitas pessoas.

Por fim, o balanço foi de um 2013 muito estático e reflexivo, com pouquíssima ação. Essa não sou eu. Passei 2013 com medo, insegura, velha. Com medo de perder algumas pessoas, das chances de uma doença, de não me gostar fisicamente, da polícia, de não ter mais idade pra isso ou aquilo, de não ter dívidas, de falar o que sinto. E os últimos meses, que respiram já os novos ares de uma nova Rosiane, mostraram que preciso acordar. Sempre vivi me jogando no mundo, nas sensações, nas aventuras, por que parei?

Ao que tudo indica, devo voltar a me jogar por aí. E assim será meu 2014 do começo ao fim.

Feliz Ano Novo!

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Das minhas lágrimas cuido eu

A poucos dias de completar 25 anos, cá estou me surpreendendo e mudando de opinião de novo. Depois de escolher um lugar pra mim, fazer uma faculdade, trabalhar, me bancar, fazer amigos, criar rotina, achei que já estaria com conceitos, valores e opiniões bem definidos. Mas a vida tem dessas coisas e faz questão de te mostrar que está errada quando tem certeza de que está certa.

Eu nunca fui a pessoa mais equilibrada do mundo e quem me conhece desde criança poderia perceber isso. Para quem me conhece há alguns anos apenas, jamais vai compreender e vai insistir em dizer que sou isso, aquilo, aquilo e mais isso e que está tudo certo. Dou risada, pois é fácil me elogiar quando me conhece em uma ótima fase. A verdade é que sempre a minha roda-gigante passa pelo ponto baixo do percurso e ai, meu amigo, só me aguenta que é realmente parceiro.

roda gigante e lua

E a forma mais fácil de perceber quem é pau pra toda obra mesmo é detectar o julgamento. Aquele olhar de censura, aquela vontadezinha de dizer “que frescura”, aquela intolerância, ou aquele desprezo de “o seu questionamento não é nada perto de quem passa fome na África”. Uma coisa não invalida a outra. Não estou cagando para as guerras civis da Somália, mas também nem por isso passo por cima e ignoro com tranquilidade meus sentimentos. São meus. É comigo. Me pertencem. Cada um no seu canto, nas suas proporções, existindo e provocando suas consequências.

Não suporto gente que acha que não devo reclamar do trânsito só porque tem alguém que mora a 10 vezes mais quilômetros de distância que eu, ou quem acha que não posso reclamar do meu chefe porque tem alguém desempregado, ou reclamar que minha casa está bagunçada porque tem alguém sem ter onde morar. Eu não sou insensível. Insensível talvez sejam políticos, que podem mudar isso e nada fazem. Eu faço o que posso sempre, por mim e pelos outros, pelo mundo. Agora, por favor, me deixe lamentar um pouco. Deixe-me perceber e filtrar o me interior.

Deixe-me lamentar, por que é esse lamento que vai me fazer me mexer, que não vai me deixar acomodar, que vai me fazer tomar atitudes, buscar mudanças. A minha dor é a minha dor, e ainda assim, compadeço a dor dos outros. Não me faço de coitadinha. Aliás, coitadinho daquele que acha legal ter a dor maior. Ufa! A minha é pequena. Mas tá aqui. A dor, enquanto não for sua, jamais será explicada. Você consegue sentir por mim?

A poucos dias de completar 25, estou vendo tudo o que preciso e devo mudar. Sofro sozinha, grito sozinha, enlouqueço sozinha, mas me entendo sozinha. Não meta o dedo na minha cara. Das minhas lágrimas e das minhas decisões cuido eu. Está convidado para entrar, sentar e ficar comigo, o quanto tempo quisermos. Mas quem conhece a poeira debaixo do tapete será sempre o dono da casa.

As mudanças estão ali, estou vendo! Mas tem neblina no caminho.

E que a minha loucura seja perdoada…

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Cara Metade

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

2012. Que ano!

Mais um ano passou num piscar de olhos. Mais milhões de coisas foram feitas e outras foram derramadas e lamentadas. Melhor do que fazer a listinha de metas no começo do ano é fazer o balanço do que se concretizou ou do que te pegou de supresa para avaliar tudo. Para se autoavaliar.

Já fiz um textinho sobre o balanço do meu primeiro semestre, que pode ser lido aqui, mas prefiro rever o ano todo mais uma vez, pois sei que, em poucos meses, devo ter mudado a perspectiva de muita coisa.

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2011 continua sendo O Ano da minha vida, principalmente para minha carreira e independência, mas 2012 não ficou longe, porque as paixões (sentimentais e pelo Corinthians) o tornaram inesquecíveis. O que acontece, na verdade, é que dessa vez, as mudanças e acontecimentos circularam outras esferas da minha vida, cada qual no seu espaço. Terminei o segundo ano da faculdade, o que não tem muita novidade a ser contada. Rotina de trabalhos, professores mequetrefes, noites viradas pra fazer o que deixei pra ultima hora foram algumas das coisas que se repetiram. Mas aprendi muito, fato que só percebo agora. Além de ter aprendido ainda muito com a convivência com os amigos.

Mantendo o nivel de qualidade do ano passado, fui a ótimos shows esse ano. Foo Fighters e Kiss alimentaram um pouco da minha fome por música e rock n’ roll. Fome essa que normalmente não se mata com algumas horas, mas que servem pra me deliciar. Além desses, ingressos pro Lollapalooza de 2013 estão comprados e outros estão à vista. A minha queria 89 FM voltou, dando o tempero final do meu dia a dia.

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Um dos pontos mais altos do meu ano foi a minha mudança de emprego. Em outubro, uma oportunidade surgiu e eu agarrei. Felizmente, a mudança aconteceu apenas pela vontade de me aventurar no novo e não pelo desespero. Sai da Social Agency de cabeça erguida, com ótimos amigos feitos e muita experiência acumulada. Cheguei na GE (General Electric) cheia de energia e vontade de aprender ainda mais. Trabalhar no ambiente corporativo tem sido encantador. Em 2 meses tenho lidado com situações que nunca vivi antes, com pessoas pra lá de importantes e influentes. A responsabilidade é grande e desafiadora.

Com a mudança da rotina e com uns trocados a mais, parei de trabalhar de sábado. Foram cinco longos anos dando aulas de inglês. Experiência incrível que, apesar de não ter nada a ver com a minha carreira, me agregou muito como pessoa. Aprendi a conviver com todos os tipos de pessoas, niveis inelectuais, niveis de aprendizagem e, principalmente, com a minha criatividade e paciência. Além, claro, de manter meu inglês sempre em prática. Com isso, tenho ido cada vez menos para a casa dos meus pais. Apesar deles não entenderem, isso melhorou muito a minha relação e disposição com eles. O stress de cá eu levava pra lá. Eles não mereciam isso. Agora eles têm o Sheik, nosso gato, um filho pra eles amarem também.

Minha saúde, mas uma vez, foi esquecida. Puxão de orelha que eu não aprendo, rss. Prometi cuidar mais de mim e parece que é o que eu fiz de menos. A única mudança foi ter voltado para a terapia, algo que eu adoro e me sinto maravilhosamente bem fazendo.

Já o coração, eu não sei dizer se cuidei mais ou menos. Prorroguei o prazo de validade. De uns tempos pra cá, meus sentimentos nunca ultrapassavam 3 meses de duração e esse ano, parece que aprendi a deixar as paixonites de lado, rss. Me apeguei em menor quantidade, por mais tempo, mas ainda em baixa qualidade. Ou não, sei lá. Algumas coisas absurdamente erradas pros outros ainda se apresentam perfeitas pra mim. Conceitos, prioridades. Tudo meio indefinido pra mim, na verdade. Só sei que ainda estou colocando esses meus conceitos em xeque por diversas pessoas e situações diferentes que vivi. Talvez por isso, as angústias foram as únicas que não mudaram. As angústias maltratam quando mostram o que deveria ter sido feito e não foi. Ou como as pessoas não te enxergam como você gostaria. Ou quando nada tira da sua cabeça a culpa. Mas a verdade é que eu vivi minhas angústias aqui, enquanto muitos viveram em algum lugar e eu talvez nem saiba. Não estou sozinha nesse barco, apesar de as vezes achar que estou.

Fora isso, continuei saindo muito, bebendo bastante, jogando muita sinuca e falando muito palavrão. Como consequências – além da barriguinha – acumulei algumas merdas que adubariam todo o território nacional, hahaha. Me arrependi de umas. De outras, a mão coça para não dar trela para estragar ainda mais.

Sobre os meus amigos, também coloco um asterisco no assunto. Dezenas de novas pessoas chegaram e muitas permaneceram. Das que chegaram, muitas trouxeram estilos de vida diferentes, status, visões, experiências e desafios. Me meti com quem achei que nunca me meteria. Pessoas também importantes, influentes, outras tão simples como eu. Nisso tudo, chorei, me envergonhei, ri. Algumas que tanto gosto se afastaram e não sei se por minha parte ou deles. Muitos acho que nem perceberam como sinto falta de quando eram mais presentes. Outros que considero tanto, não sei se tenho o mesmo valor pra eles. Mas tudo isso faz parte da vida né? Já é meu segundo ano em São Paulo, mas ainda assim, minha vida dificilmente costuma ser estática. O que faz com que tudo sempre se movimente, inclusive as pessoas.

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O esporte continua sendo uma paixão. Fui pela primeira vez na Fórmula 1 e achei simplesmente do caralho. 2013 estarei lá, com certeza. Fui também, no começo do ano, no Brasil Open e assisti um pouco de tênis. Revoltantemente não fui no Federer Tour, mas ok. Fora isso, sábado e domingos continuaram sendo dias oficiais de overdoses esportivas. Fato herdado do pai e irmão, que continuam sendo meus companheiros pra isso.

No entanto, o Oscar de melhor protagonista do ano na minha vida ainda vai para o Corinthians. Que ano vivi ao lado desse grande amor! Passei a fazer parte dos Corinthianos Obsessivos. Frequentei 95% dos jogos no Pacaembu. Estive em 8 dos 14 jogos da Libertadores e no mais importante deles: contra o Boca Juniors no La Bombonera, em Buenos Aires. Puta aventura! Não vou esquecer um segundo sequer dessa emoção, que é revivida quase que diariamente na minha cabeça pra não apagar nenhum detalhe. Desde a compra das passagens, até o ingresso que me deram e o gol do empate. Depois disso, vieram as comemorações e a ansiedade pelo Mundial. Apesar de não ter ido ao Japão, está entre os momentos mais incríveis da minha vida corinthiana. Sou bicampeã do mundo! Momentos compartilhados com esses amigos que citei, íntimos ou não. Enfim. só sei dizer “Obrigada, Corinthians“!

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Ah, não posso me esquecer de que virei sócia do clube. Parece algo pequeno perto de tanta coisa aqui já dita, mas pra mim é algo extremamente importante. Como sócia, posso participar diretamente, ainda que só daqui uns anos, na vida política do meu time. Votar, opinar, viver mais o ambiente. Espero poder contribuir sempre para torná-lo ainda maior.

Esqueci de algo? Com certeza. No meio disso tudo, teve muitos bares por aí. Muitas caminhadas pelo centro de São Paulo observando as pessoas e o cotidiano. Muitas visitas bem vindas na minha casa que aguardo de volta, muitas outras que deveria apagar (mas não consigo ou não quero). Muitos momentos sozinha na minha casinha pensando na vida querendo um abraço e muitas botecadas nas quais só queria o meu canto sozinha. Mas muita festa com os amigos e muito orgulho de quando tenho o meu espaço e assumo o meu próprio rumo. Orgulho do reconhecimento dos amigos que conquistei, mesmo não acreditando nisso sempre.

É estranho pensar nisso tudo. Sofri muito esse ano em diversos aspectos, não tem sido fácil viver tão sozinha nessa cidade enlouquecedora, mas ainda assim sei identificar que todo o saldo é positivo. Chorei muito, ri muito. Não sei qual dos dois em maior quantidade. Estou conquistando minhas coisas, passo a passo… Insatisfeita é quase o meu sobrenome, prazer. Se pra bem ou pra mal,  aí já não sei.

A verdade é que muita coisa aconteceu. Não fiquei parada um minuto se quer. Como sempre, minha vida corre, agita. Ainda bem. Quero acreditar que ainda bem.

Feliz Ano Novo a todos e que 2013 seja ainda melhor, com mais amor, menos mimimi, mais sucesso e mais força pra ir atrás. Do que, quem, onde quer que seja.

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Se dá para imaginar, dá para fazer.

Vida nova começando em setembro/outubro. E que seja de sucesso!

Quando a oferta de trabalho é melhor do que já temos, parece ser bem simples a decisão de aceitar, não é? Pois engana-se quem pensa assim. Talvez seja lá na frente, com uma bagagem de experiências sobre admissão e demissão, mudanças de rotina, de orçamento. Para quem está apenas começando a carreira é algo bem complexo.

Não se trata apenas de ganhar mais ou menos, ter mais ou menos benefícios. Trata-se de mudar sua rotina, conhecer novas pessoas, as quais vai ter que criar novos vínculos, descobrir novos comportamentos, novas afinidades… ou não. Trata-se de conhecer um novo ramo de trabalho, sair da zona do conforto daquilo que já aprendeu e acostumou a fazer, trata-se de ter um novo chefe, um novo cliente, até mesmo um novo trajeto para fazer até o trabalho, novo transporte, novo velho trânsito.

Trata-se de risco. Risco de aceitar e não gostar. Risco de aceitar e descobrir a carreira que quer seguir pro resto da vida. Risco de conhecer ótimos amigos, o amor da sua vida, ou de engolir sapos dia após dia. No entanto, riscos mais que válidos de se correr.

Corri o meu há um mês e agora vivo o processo de “descobrir suas consequências”. Cedo demais pra se falar em resultados, porém em tempo de dizer que as expectativas são as melhores. Não que o medo não exista, mas preferi colocar a cara a tapa e se doer, demora um pouco, mas depois passa.

Aliás, não foi só o medo que resolvi deixar de escanteio, mas outros assuntos também – ou pelo menos estou tentando. Não é o momento para muitos deles estarem no papel principal da vida, então, dei espaço para que o profissional ocupe a cena o máximo que puder, e com isso traga frutos pra vida toda. Está ocupando a mente, os planos, as conversas e que assim continue.

Assumi o risco, mudei as prioridades e que o trajeto seja de tijolos dourados! ;)

Não há nada de errado, só “não era pra ser”.

Conquistar. Segundo o dicionário:  1. Adquirir à força de trabalho; alcançar: Conquistar a reputação, a subsistência. 2 Adquirir, ganhar, granjear (amizade, corações, ódio etc.).

Para os sonhadores, como eu, conquistar faz parte de toda a vida. Conquistar um emprego bom, uma posição na sociedade, um reconhecimento. Conquistar um amor, um perfil de companheiro, conquistar a admiração. Conquistar um status financeiro, poder ter sua casinha, um carro, viajar um dia pra algum lugar bacana nas férias. Conquistar é a palavra exata, demonstra uma dedicação. Um “fazer com as próprias mãos”, um mérito. Só eu tenho essa impressão da palavra?

Ai vem os amigos, os conselhos, aquela fase nem sempre boa. E para quem espera sempre uma boa conversa, na maioria da vezes vem o tal “não era pra ser”. Desculpe, meus caros, mas não vejo sentido. Não tem lógica para mim, ter o conquistar no mesmo vocabulário do não era pra ser. O que é pra ser? O que é pra conquistar? O que não é pra conquistar, nem pra ser?

Muitos vão dizer que estou errada em não aceitar as duas coisas caminhando juntos, outros preferem optar só por uma “filosofia” ou a outra. Talvez seja esse o dilema da vida. Ter a resposta entre o conquistar e o “pra ser” seria ter as respostas do sentido da vida!! Será? Não sei, não sei. Não quero ir muito a fundo na reflexão, me coloco mais simples, aqui, no chão mesmo.

A gente falha. E aí, a gente não conquista. Ponto final. Não era pra ser é a mão na cabeça que a mãe passa quando seu brinquedo quebrou. Uma hora essa mão não existe mais. Abri os olhos e digam o que for, me culpo sim. Porém, me culpo, entendo e tento de novo. Se falhei, que tal tentar diferente? Não é fácil. Mas quem disse que seria?

Só não me venham com “não era pra ser”, ou pior, “quando tiver que ser, será”. Não nasci pra ficar com a bunda sentada. E isso vale pra trabalho, dinheiro, saúde, amores. Se para ter um bom trabalho é preciso lutar e de fato conquistar o que se busca, porque não podemos pensar assim e buscar a saúde ao invés de nos maltratarmos? Porque não podemos conquistar uma pessoa que achamos ser aquela que teríamos do nosso lado sempre?

Conquistar parece que se tornou um verbo essencialmente material. Porém, nunca achei em que momento do mundo essa diferenciação foi feita. Portanto, amigos, eu conquisto. Nós conquistamos o que quisermos. Vamos falhar diversas vezes, e a culpa pode sim ser nossa. Mas conquistar é o foco. Levanta do tombo e caminhe de novo.Tomou um não na entrevista de emprego? Não vingou aquele negócio? Perdeu aquela pessoa? A saúde não tá daquele jeito? Conheça-se, repense, tente. Mude!

O que Deus tem pra nós não se trata de ser ou não para ser. É muito mais do que isso. É a força e o apoio pra continuar caminhando. É o caminho, a luz, do que se busca. Se estou errada ou certa? Who knows? Mas não quero de muros para ficar. Encarar falhas é parte essencial da conquista. E segue o jogo…

Shiiuuu

Não me chame mais de linda. Não quero mais ouvir. Nem linda, nem gata, nem gracinha, nem fofa. Gostosa então, está decididamente proibido. Não quero mais ouvir nenhuma dessas palavras.

Não sorria como sempre sorriu quando me via. Não faça aquela cara, aquele barulho, aquele gesto de quem vê um bebê e quer esmagar. Não me abrace e levante no colo. Muito menos me pegue e aperte com força pra falar besteira no meu ouvido quando bêbado.

Não elogiem meu cabelo, meu olho, meu sorriso. Não falem que tenho cara de novinha, que sou lindinha. Aprendi o truque que isso causa em transformar um desejo em consciência tranquila, quando a novinha nem é tão novinha assim. Está terminantemente proibido me achar surpreendente e fazer qualquer comparação com outras idades. Eu não sou sensacional, não falem isso.

Não virem a cabeça quando eu passar, não buzinem, não abram um sorriso e jamais tentem passar esbarrando. Acabo de proibir frases como “ô lá em casa”, “parabéns, hein?”, “que loira” ou coisas do tipo. Gostaria do botão “mute” para cada uma delas. Até mesmo a disfarçada de educada “com todo o respeito” eu não quero mais ouvir.  Chega.

Não fale “ela é demais” para os amigos. Não na minha frente. E não solte um “você é o meu número”. Não me chame de louca, tomo isso como elogio. Não quero o troféu, as piadas, o ser foda, não desenhe corações. Qualquer exagero será ouvido e bloqueado. Mais é menos. Acabe logo com isso. Não quero ouvir que você lembra de cada detalhe meu. Não comece, o problema está aí. Eu não sei por o pause. Ou melhor, o stop.

Não quero nada mais disso, quero diferente. Sabe? E eu sei que você(s) sabe ser assim. Não quer, não quis, foi, mas não foi, não sei. Mais é mesmo menos. Eu quero o silêncio, não precisa abrir a boca. Quero só o olho, a ação, a reação. Quero ouvir, porque não? Mas outras palavras. Porque talvez não percebeu ou não quis perceber, mas elas foram feitas para acreditar. E eu normalmente acredito. Eu quero o pra sempre.

Um balanço

O primeiro semestre de 2012 já se foi. Voou, como sempre voa o tempo. E nesse feriado frio e monótono de São Paulo, me peguei fazendo mentalmente um “balanço” de como foi a primeira metade do meu ano.

Comecei o ano de casinha nova. Já havia me mudado no final de 2011, então o saldo positivo dessa conquista ficou para o ano passado, mas foi em 2012 que eu definitivamente me adaptei e me apeguei à nova casa. Amo meu canto e tem horas que é onde eu quero estar, mais do que qualquer outro lugar. No começo do ano também aconteceu o meu anversário, fato que, apesar de agradecer a vida, a saúde, os amigos e presentes, não é segredo nenhum que não gosto. Não me sinto confortável em fazer aniversário e não me torrem por isso. Quem sabe um dia mudo…

Continuei e continuo no mesmo emprego. Pontos positivos e negativos disso, claro. Positivo porque estou lá porque gosto e gostam de mim, do trabalho que faço, da confiança que me deram. Ponto negativo – aliás, não sei avaliar se é negativo – porque não fui me aventurar em novas coisas, talvez uma dose de acomodação.

Entrei no segundo ano da faculdade. Já se foi mais um semestre e como de costume o segundo deve passar voando também, já já o terceiro ano está aí e a água vai bater na bunda. Entretanto, to agradecendo ter sobrevivido a mais um semestre, parece que fica cada vez pior, ou eu que fico cada vez menos empenhada, hehe.

Vivi muito o Corinthians e, que me desculpem aqueles que me acham doente, posso dizer que foi o ponto alto de todo o meu semestre. Até onde lembro, fui em todos os jogos desse ano no Pacaembu. Talvez esteja esquecendo algum, devo ter faltado em 1 ou 2 que foram de sábado e tive que trabalhar, não tenho certeza. Estive em Buenos Aires realizando o sonho de ver o Corinhians jogar a final da Libertadores contra o Boca Juniors no La Bombonera. Não tem como, de fato tudo o que rodeou o Corinthians foi mesmo o que deixou o meu primeiro semestre em superávit. Junto disso, conheci e comecei a fazer parte do grupo Corinthianos Obsessivos no qual fiz grandes amigos, aproximei minha relação com o clube e já aprontei um bocado também.

Foi tipo assim… positivo, mas no vermelho. Dá pra entender? Hehe.

Não consegui guardar dinheiro, ponto bem negativo do meu semestre. Não é fácil ser estagiária e ainda me virar nos 30 nessa selva de pedras chamada São Paulo. Mesmo com todo o saldo negativo, até que está dando para o gasto. Prometo melhorar esse defeito.

Tive mais alguns amores eternos de alguns meses, rss. Acho que dois, o que comprova a minha teoria dos 3 meses de validade. Não vou entrar em detalhes, mas foram o suficiente pra me fazer repensar várias coisas. Alguns amigos continuam me xingando, mas, melhor deixar pra lá.

Engordei uns 3 ou 4 kgs. Trabalhar na Paulista com várias opções de boas comidas, abusar da cerveja nos happy hours com os amigos, morar sozinha e me contentar com muita junk food para satisfazer a fome. Deu no que deu, bochechas a mais, barriga e bunda também. Preciso logo que a academia me domine e que a preguiça me largue. Além disso, preciso vencer o relacho de ir fazer os exames de rotina.

Certeza que estou esquecendo de algumas coisas, mas acredito que o principal está aí. Quem me conhece deve imaginar que considerei um semestre “morno” demais para o meu gosto. Porém, pensando em 2011, que foi um fucking ano pra mim, o que virou mesmo foi o segundo semestre e assim espero que se repita em 2012.

Sobre as metas, estão todas na minha cabeça, não preciso externá-las para tentá-las por em prática. Espero fazer o balanço no fim do ano com muitas delas concretizadas. Ainda assim, to agradecendo o semestre desse ano, mesmo com vontade de explodir muita coisa, rss.

Dessa vez vai ser diferente, pela enésima vez.

Sabe quando você se sente preso por alguma coisa? Uma camisa de força, algemas, aquelas bolas pesadas de ferro na canela? Pois é, sou eu nesse exato momento. O mais irônico é que, na verdade, nada dessas coisas existem, são invisíveis. Resta saber se foi a vida que “pregou a peça” ou se eu mesma que não enxergo o quebra-cabeças para me libertar.

Na verdade, acredito ser os dois. A vida faz isso mesmo e feliz de quem não tem medo de tentar a alforria. É o que venho tentando fazer. Não é fácil, nem mesmo breve, dá vontade de desistir, de se entregar, mas estamos lá, firmes e fortes.

Ainda assim, presa, as vezes me sentindo até mesmo de vendas nos olhos ou na boca, sem poder gritar, agradeço a cada dia. Minhas armadilhas não são nem 1% do que são as armadilhas de muitas pessoas por aí. Contudo, isso não significa que devo menosprezar minha luta, deixar de reclamar, de pedir, de querer passar.

Não preciso – nem devo – ficar aqui contando detalhe do que se passa. Minha vida já é um livro entreaberto para a maioria das pessoas, não seria tão difícil entender os dilemas. Resumidamente, um pedacinho de neve aqui, conhecido como “minha vida profissional”, outro pedacinho ali, chamado “relacionamentos”, e mais um teco tido como “finanças”, que resolveram se juntar e me fazer uma avalanche. Não estranhe se ainda tiver um pouco de “saúde”, “família” e “lazer” em falta ou em surto por aí.

Solucionar não é das coisas mais simples e exige um tanto de perseverança, I know. Ta aí uma coisa que nunca me faltou. Porém, para chegar até lá eu vou levando tombos aos rodos. Sintam-se a vontade para rir de mim quando eu digo que Corinthians, música e boas botecadas são as coisas de onde eu tiro forças. Esses três elementos costumam colocar energias no meu caminho, seja de um placar suado, um acorde eletrizante ou uma companhia nova para tomar uma cerveja. Tomo tudo como exemplo.

Se estou certa ou errada, não sei, mas por enquanto tem funcionado. Ouça meus dramas e deixe-os sair pelo outro ouvido, eu sempre os farei. Vou chorar, vou dizer que é o fim da minha vida, que não tenho mais forças, que “dessa vez é diferente”. Que não consigo mais, que estou cansada, que vou desistir. Paciência, tenha comigo. De fato penso assim quando bate o aperto e depois eu mesma dou risada de tamanha idiotice. Vai me dizer que você nunca fez isso?

Eu não estou sozinha nessa e, ainda que estivesse, é para mim que procuro a satisfação. É para mim que procuro refúgio, um abraço, uma palavra. Não nego quando me pedem, ainda que por diversas vezes não os tive quando pedi. Quer saber? No final das contas esse será também mais um texto que vou rir de tão idiota.

Me.

“Ela é assim! Pronto.
Mas assim como? Explica!
Ela é assim um mix de tudo que se possa imaginar dentro de uma grande capacidade de apenas não ser nada em definitivo. Ela é aquilo que não consegue se encaixar em moldes pré-existentes, parece que ninguém nunca foi antes dela. Ela se incomoda com isso, às vezes, muito.
Ela é cheia de sentimentos, parece que suas experiências se manifestam é no dorso do seu colo, e quase sempre, de vez em quando, tudo isso pesa. Mas não tem modo, não existe maneira que a faça ser diferente. E ainda, graças a Deus, ela é diferente. Algo que pesa e que tem o dom da leveza, algo que chora e que se manifesta em sorrisos, algo de forte, mas que se desmancha quando encontra a água.

Clarice Lispector

E a parte mais difícil de postar esse texto foi escolher a melhor frase para por em negrito. Prazer, Rô.